Ilusão, 2013

A fachada é um espelho. E como todo espelho, engana.

Em Ilusão, projetei sobre o vidro do edifício a própria imagem do edifício –  uma dobra da realidade, um reflexo que se volta para si. O olhar entra e sai do mesmo lugar, acreditando avançar, mas é o próprio prédio que se repete.

Fotografei a fachada do antigo Banco Santander, no centro de Porto Alegre, e a transformei em adesivo aplicando a imagem sobre os 28 vidros que compõem a entrada.  A fotografia se multiplica, distorcida, criando a sensação de uma arquitetura que se desdobra ao infinito. Quem passa tem a impressão de estar entrando no prédio, e entrando, e entrando…

Esse trabalho nasceu do desejo de tensionar o olhar: o que é dentro e o que é fora? O que é real e o que é reflexo? A cidade também se constrói dessas ilusões, fachadas que prometem entrada, mas devolvem o próprio olhar de quem vê.

Ilusão integrou o Circuito de Arte Santander, parte da segunda edição do projeto Artemosfera, que espalhou intervenções urbanas por Porto Alegre, aproximando a arte da paisagem cotidiana. Minha intervenção foi essa: um convite a se perder no espelho da cidade.

O Circuito de Arte Santander buscou renovar a paisagem urbana dos principais bairros de Porto Alegre por meio de intervenções de arte contemporânea, assinadas por artistas gaúchos, nas fachadas das agências do Santander. Com o objetivo de aproximar a arte produzida no Rio Grande do Sul das pessoas e contribuir com a beleza da cidade por meio destas intervenções, o projeto acompanha o momento em que a capital gaúcha respira arte com a 9ª Bienal do Mercosul.