Coisas do Cotidiano

O projeto Coisas do Cotidiano nasceu da vontade de desacelerar o olhar. De perceber aquilo que, por pressa, costume ou distração, costuma passar despercebido. É um exercício de atenção e presença, uma forma de ver o mundo com curiosidade, humor e delicadeza.

Fotografo o que encontro enquanto caminho pela cidade ou viajo. São cenas simples, às vezes triviais: uma sombra projetada no chão, um reflexo no vidro, um gesto, um objeto esquecido. O que me interessa é o instante em que essas pequenas coisas ganham sentido. Quando o banal se transforma em poesia, e a imagem se torna uma espécie de espelho do tempo.

Cada fotografia é acompanhada de um título. Ele nasce quase sempre junto com o clique: uma palavra, uma frase, uma provocação. Esse diálogo entre imagem e palavra é o coração do projeto. O título conduz o olhar, sugere leituras, abre espaços de interpretação. Às vezes é poético, às vezes irônico, às vezes apenas uma constatação. Mas sempre nasce do encontro entre o ver e o sentir.

O projeto já conta com quase mil registros e, desde 2013, todas as imagens são capturadas e tratadas exclusivamente com o uso de celular. Essa escolha tem a ver com o gesto espontâneo, com a ideia de que o olhar pode acontecer a qualquer momento, sem aparato, sem previsão. O celular se tornou uma extensão do olhar e da curiosidade.

Coisas do Cotidiano segue até hoje através das minhas redes sociais – instragam e facebook – por tempo indeterminado. É um arquivo vivo, um diário visual em constante crescimento. Mais do que um conjunto de fotografias, é um modo de estar no mundo — um convite para ver beleza onde quase ninguém mais olha, para encontrar sentido no comum e poesia no que insiste em permanecer invisível.