Carta para Tim Bernardes
08.05.2026
Hoje acordei cedo, e a primeira coisa que fiz foi pegar o celular para escutar de novo a música “Nascer, Viver, Morrer” que gravei ontem no show. Tomo a liberdade de compartilhar no reels. As pessoas precisam disso.
Ainda estou profundamente mexido.
A abertura do show foi uma das coisas mais impactantes que já vivi. A luz vinha por trás de ti. Só tu no palco, os violões, o piano, o silêncio. Nenhum excesso. Nenhuma distração. Só presença.
Fiquei pensando como alguém consegue compor algo assim e cantar daquela maneira.
O show inteiro parecia uma espécie de oração. As luzes mínimas, o pano ao fundo mudando apenas de cor algumas vezes, e principalmente o silêncio. Era preciso muito silêncio para sentir a força daquilo tudo. Em vários momentos parecia que nem aplausos eram necessários, porque o corpo e a alma não conseguiam acompanhar tanta beleza ao mesmo tempo.
Tenho 61 anos. Já vivi muita coisa. Já fiz muita coisa. Mas ontem me senti grande e pequeno, velho e jovem, criança e muito velho ao mesmo tempo. Me senti acompanhado de mim mesmo.
Tu canta sobre amor, desilusão, tempo, morte, recomeço, mas de um jeito raro: sem artifício. E talvez tenha sido isso que mais me atravessou. A sensação de verdade.
Quando tu canta:
“às vezes sem nem perceber que está vivo” ou “eu sou consciência da coisa que sou” parece que alguma coisa dentro da gente abre espaço.
Saí do show pensando no que a arte pode fazer com alguém. Há um ano, tu atravessou minha vida através das tuas músicas. Ontem percebi que isso foi maior do que eu imaginava.
Ontem levei dois desenhos que fiz e entreguei para a tua produção. Não como pedido de resposta ou aproximação, mas como gesto de agradecimento. Porque às vezes a arte de alguém encontra a nossa vida num momento exato e transforma alguma coisa silenciosamente.
E ontem aconteceu isso comigo.Muito obrigado


