A pequena Lua
09.04.2025

O amor que sentia por aquele cachorrão era de um tamanho que nem ele sabia descrever. Chegou pequena em sua vida. Cabia literalmente na palma da mão. Lembra até hoje de quando a pegou no colo e ela encostou no seu peito e ali ficou. Quietinha, respirando leve e olhando para o nada. Aquele olhar e aquela atitude o deixou desconcertado. Naquele momento a conexão foi feita. Já era Amor.

Em casa, já ocupava a sua cama improvisada em uma tina de madeira antiga e um cobertor. Deitou de barriga pra cima e dormiu. Estava feliz naquele lar. Lembrou do primeiro latido estridente, o pelo macio como veludo e escuro como uma noite sem estrelas. O focinho bem curto, orelhas pequenas e um olhar profundo.

O tempo passava e ela seguia a mesma. Dócil, amorosa, brincalhona. As patas eram grandes e todos falavam que seria um cachorro grande. Ele torcia por isso, mas não criava expectativas. E ela cresceu bastante, assim como suas orelhas e focinho. Transformou-se em um cachorrão lindo, cheio de estilo, elegância e cada vez mais amorosa e dócil. Ela amava as pessoas.

Milhares de fotos e aquele olhar seguia o mesmo. Era a sua marca registrada. O pelo seguiu escuro e os detalhes em branco eram apenas nas patinhas e uma gravatinha fina no peito. Quando estava em casa bem sentada ao seu lado no sofá, luzes indiretas na sala, desaparecia. Mas tinha sempre aquele momento mágico. Ele falava com ela, fazia carinho e ela abria os olhos e uma pequena Lua aparecia iluminando o coração dele. A conexão era profunda.

Aquele cachorro era a sua vida. Há cinco anos fazia a sua alegria e oferecia o amor mais puro do mundo. Não pedia nada em troca. Era o seu primeiro cachorro e talvez fosse o único em sua vida. Às vezes pensava no dia em que ela não estaria mais por aqui, mas, enquanto isso, aproveitava o privilégio de estar em casa o dia todo e viver intensamente aquele amor.
Esse texto e foto, dedico à @gracacraidy