Era domingo
30.03.2025
Escrever a palavra domingo e ler em voz alta parecia estranho. As palavras repetidas parecem perder o sentido. Buscou no Spotify músicas com a palavra Domingo. E lá estavam elas, de todos os tipos e ritmos, cores, dores, alegrias, melancolia, falta, ausência.
Escutou várias delas e de acordo com a letra, ia sentindo todas as emoções possíveis. Era domingo. Aquele dia calmo, silencioso. O céu estava azul, o calor ainda insistia em dar as caras em pleno outono.
Era nos domingos também que esse mesmo silêncio por vezes era perturbador. Estava onde mais gostava. Na sala da casa, tomando café e observando a cachorrinha feliz e dormindo. E foi por esse pequeno detalhe, a tranquilidade da cachorrinha, que aproximou-se dela. Queria sentar junto e quem sabe, sentir aquela tranquilidade e felicidade. Aquela felicidade simples de estar onde se quer, seguro.
Ela logo levantou e começou os afagos e lambidas e o convidou para brincar. Era domingo. Dia de escutar músicas, tomar café e brincar com a cachorrinha. Dia de silêncio. Dia de lembrar que estava onde queria estar.
Antes de fazer a festa com sua fiel parceira, fez o que mais gostava: juntou o focinho com as duas mãos e disse que daria só uns beijinhos. Ela sempre deixava que ele fizesse isso e soltava pequenos suspiros.
Domingo era também dia de suspirar e aquele som que vinha daquele cachorrão foi o suficiente para que as emoções se acomodassem.
Ela não imaginava o quanto fazia bem a ele. A brincadeira com a bolinha começou e o riso veio solto. Ela rosnava fazendo de conta que estava braba.
Era domingo, tinha sol e aquele silêncio dentro do lugar onde mais amava. Sua casa. Trocou a playlist. Domingo era apenas um dia qualquer.


