Aonde fica a saída?
Exposição Virtual no Facebook/Instagram e Youtube “Aonde fica a saída?” – Bordados a partir de releituras dos desenhos originais da obra Alice no País das Maravilhas. 2021
Sempre gostei de bordar. Há algo de silencioso e meditativo no gesto de passar a linha pelo tecido, como se o tempo respirasse junto com o ponto. Um dia, movido pela curiosidade e pelo desafio, decidi transformar em bordado as ilustrações originais de John Tenniel do livro Alice no País das Maravilhas, que sempre me fascinaram pela força e pela delicadeza do traço.
Desenhei cada imagem sobre pano preto e comecei a bordar com linhas brancas, amarelas e vermelhas. Aos poucos, as figuras foram surgindo, nítidas e frágeis, como se tivessem sido resgatadas da sombra. O contraste entre o preto do tecido e a luminosidade do fio fez com que cada bordado parecesse uma pequena joia, um instante preservado.
Esse trabalho nasceu do prazer de bordar e da vontade de dialogar com um universo que me acompanha desde sempre: o da imaginação, do espanto e da delicadeza. Bordar Alice foi, para mim, entrar de novo em um mundo onde tudo é possível e onde o fio é o caminho de volta ao encantamento.
Apresentação de Cláu Paranhos*
2020 foi o ano que nos arremessou, a todos, num outro mundo. Como no livro As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, temos um “mundo de cabeça para baixo”.
Antes dele, andávamos tal qual o Coelho Branco: sérios, nervosos e sempre atrasados, estávamos imersos em nossas rotinas apertadas e corridas. Tal qual Alice, em 2020 escorregamos para dentro da toca do Coelho sem sabermos ao certo onde iríamos parar. …E ainda não sabemos.
Tal qual Alice, temos à nossa frente múltiplas interpretações possíveis: é preciso encarar o absurdo, cogitar o mágico, subverter a lógica diante de uma vida que agora nos desafia a razão e escapa à compreensão.
Leandro Selister voa, encontra a saída, e nos puxa pela mão, convidando à invenção de uma outra realidade. Através da singeleza dos seus bordados, evoca o fantástico mundo de Alice, onde tudo é possível e a loucura é sinal de sanidade, para que não nos esqueçamos jamais daquilo que disse o Chapeleiro à menina: “Você é louca, louquinha! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são!”
* Cláu Paranhos é artista, arte (des)educadora, agente cultural e pesquisadora na área de Artes Visuais. Doutoranda em Educação, Mestre, Licenciada e Bacharel em Artes Visuais (UFPel/UFRGS). Desde 2003, participa de exposições e ações artísticas individuais e coletivas. Desenvolve Oficinas de Artes Visuais desde 2005.

















