Marca d’Água, 2024

“Cicatrizes da enchente retratas nas marcas deixadas pelas águas”. Matéria realizada pelo jornalista Cristiano Dalcin para a RBSTV.

Marca d’Água nasceu quando a cidade ainda respirava o susto da enchente.

No começo, tentei fotografar as águas que tomavam Porto Alegre, mas percebi que nenhuma imagem era capaz de traduzir aquilo. Era grande demais, silencioso demais, doloroso demais. Foi só quando as águas baixaram que o trabalho encontrou um caminho. As paredes estavam marcadas.

Eram linhas de lama que atravessavam portas, vitrines, fachadas, cicatrizes deixadas pela força da água. Diante delas, senti que a única maneira de compreender aquela dimensão era usando o meu próprio corpo como medida.

Passei então a me posicionar diante dessas marcas. Coloquei meu corpo em diálogo com o vestígio. E fotografei esse encontro. Em muitos lugares, percebi que eu estaria totalmente submerso.

Esse gesto simples, estar ali, de pé, diante do que havia acontecido — se tornou a espinha do projeto. Marca d’Água é a tentativa de medir o incalculável, de traduzir em escala humana uma tragédia que atingiu uma cidade inteira.

As fotografias são memória, mas também são alerta. Falam do que a água levou, do que deixou e do que ainda pode voltar. Falam de uma cidade vulnerável e de uma lembrança que não pode ser apagada.

Marca d’Água não busca o espetáculo da destruição.

É um trabalho sobre vestígios, sobre o que sobra, sobre o que insiste, sobre o que continua marcado mesmo depois que a água recua. Mais do que um conjunto de imagens, é um modo de lembrar.

Um convite para olhar de novo e não esquecer.

Circulação

O projeto integrou exposições, acervos e publicações, incluindo:

– Obra pertencente ao acervo do MARGS,  Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, Porto Alegre
– Obra pertencente ao Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, UFRGS, Porto Alegre
– Exposição Post Scriptum, Um Museu como Memória, curadoria de Francisco Dalcol, MARGS, Porto Alegre
– Exposição Águas Selvagens, curadoria de Ana Zavadil, no Museu de Arte do Paço, Porto Alegre
– Exposição Memorial das Águas com curadoria de Marcos Monteiro na Praça da Alfândega, Porto Alegre
– Participação no MUPE – Museu do Percurso da Enchente
– Portfolio selecionado no Festival FotoDoc (SP)
– Selecionado para a Mostra “A Enchente” no FestFoto Porto Alegre, na Fundação Iberê Camargo
– Projeto selecionado na 18ª Semana da Fotografia de Caxias do Sul
– Fotografia selecionada entre as 50 melhores do Mira Mobile Prize (Porto/Portugal)
– Artigo apresentado na ANPAP por Niura Ribero
– Ensaio publicado pelo autor, na Revista Parêntese, Matinal Jornalismo
– Matéria especial no G1 / RBS-TV, por Cristiano Dalcin, com entrevista e apresentação do projeto
– Ensaio selecionado a partir de chamada pública para o projeto Reflexos Submersos, um memorial artístico e documental sobre a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul. Oito artista foram selecionados. O projeto foi contemplado no Edital SEDAC/PNABRS, n. 27/2024. Artes Visuais. O site do projeto será www.reflexossubmersos.com.br