Invisíveis – Histórias para Acordar
Site specific | Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre, 2021

O site specific, Invisíveis – Histórias para Acordar ocupou o térreo da Casa de Cultura Mario Quintana entre 5 de novembro e 5 de dezembro de 2021. Criada para acolher a performance homônima dirigida por Deborah Finocchiaro, a instalação propôs um mergulho sensorial e político nas vozes e silêncios das mulheres em situação de rua.

O espaço foi transformado em abrigo, palco e manifesto. As luzes vermelhas, o som dos corpos em presença e o texto impresso em grande escala criavam um ambiente de urgência e escuta. Sobre as paredes, os Dez Mandamentos das Moradoras de Rua — frases colhidas da realidade e reescritas como gritos gráficos — se erguiam como mural da sobrevivência.

“Procurar uma família de rua que a proteja.”
“Dormir com um olho fechado e outro aberto.”
“Não confiar na polícia.”
“Nunca dormir sozinha.”

Entre essas palavras, as performers –  Denise Ovádia, Dejeane Arrue, Elaine Regina, Grazi Pires, Fernanda Copatti e Deborah Finocchiaro – habitavam o espaço como presenças poéticas e políticas. A performance se entrelaçava ao vídeo Histórias para Acordar, de Deborah Finocchiaro e Amanda Gatti, e às imagens da série Tristicidade, parte do projeto Cartografias do Abandono e da (In)visibilidade que desenvolvo desde 2017.

O projeto foi concebido como uma experiência de escuta e exposição da dignidade humana. Cada corpo, palavra e imagem ali reunidos eram testemunhos do que insiste em existir, daquilo que o olhar social tenta apagar, mas a arte devolve à visibilidade.

Invisíveis não foi apenas uma mostra. Foi um gesto de reparação simbólica, uma tentativa de acordar o que dorme em nós: o cuidado, a empatia e a coragem de ver o outro.